08 MAR 2026
Antes do passo, vem a conexão
Comecei a dançar com 16 anos. E essa foto é de uma época em que eu ainda nem imaginava o quanto a dança ia ficar em mim.

Comecei a dançar com 16 anos.
E essa foto é de uma fase em que eu ainda nem imaginava o quanto a dança ia ficar em mim.
Nessa hora eu estava dançando zouk.
Na época, eu achava que era música, passo, ritmo, corpo.
Depois percebi que era muito mais.
Zouk me ensinou a prestar atenção.
Na mão.
No olhar.
Na respiração.
Na tensão do corpo.
No momento em que a pessoa confia e para de tentar controlar cada movimento.
Me ensinou que conduzir não é impor.
É ouvir.
É perceber.
É criar segurança suficiente para que o outro também possa se entregar ao movimento.
E talvez tenha sido uma das primeiras coisas na minha vida que me ensinou, de verdade, o que é conexão.
Porque estar perto de alguém não significa estar conectado.
Encostar é fácil.
Difícil é perceber.
É sentir quando a respiração muda.
Quando o olhar fica diferente.
Quando a mão relaxa.
Quando o corpo deixa de responder só ao passo e começa a responder à presença.
Eu tinha 16 anos nessa foto.
Provavelmente estava mais preocupado em não errar do que em filosofar sobre qualquer coisa.
Ainda bem.
Mas olhando hoje, vejo que muita coisa que eu acredito sobre presença, cuidado e conexão começou ali.
E encontrei esse vídeo na internet que ilustra muito bem o que quero dizer.
Não sou eu dançando, mas é exatamente essa sensação.
Quando duas pessoas param de apenas executar passos e começam a se escutar sem falar.
Quando pele, olhar, ritmo e respiração entram na mesma conversa.
É aí que, pra mim, a dança deixa de ser movimento.
E vira conexão.
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